Sesab confirma óbito por dengue em Uauá mas nega atrasos na regulação: “Não se deve transformar a dor de uma família em palanque”

domingo, 03/05/2026 – 10h40

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) negou atrasos na regulação de pacientes diagnosticados com dengue hemorrágica em Uauá. Em nota enviada ao Bahia Notícias neste domingo (3), o órgão de saúde estadual responde ao apelo da primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, em relação a supostos atrasos na regulação
de pacientes no sertão baiano.

Em suas redes sociais, Rebeca, que é uauaense, relatou que “uma mãe jovem morreu e deixou dois filhos. E tantas outras estão internadas com dengue hemorrágica, aguardando a regulação”, declarou. No vídeo, ela relata que o óbito teria sido causado por um atraso na regulação: “A regulação é um dever do Estado. A regulação é um direito das pessoas. E as pessoas não deveriam estar esperando pela regulação. Elas deveriam estar sendo tratadas”, afirmou.

Em resposta, a Secretaria Estadual de Saúde escreveu: “O prefeito de Salvador, Bruno Reis, deveria explicar à primeira-dama que não se deve transformar a dor de uma família em palanque antes da apuração técnica dos fatos”.

“Como primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso deveria olhar primeiro para a própria capital, onde a Prefeitura ainda convive com baixa cobertura de agentes comunitários, atenção primária insuficiente e dificuldade histórica de organizar a porta de entrada do SUS”, diz outro trecho da nota, dirigido à primeira-dama da capital baiana.

No posicionamento formal, a Sesab confirmou o óbito, porém destacou que “a regulação da paciente não ficou parada”. “A solicitação foi inserida às 14h35 e teve encaminhamento definido às 18h13, em menos de quatro horas. O quadro informado pela unidade de origem já era grave, com sinais de alarme e manifestação hemorrágica. Infelizmente, apesar da resposta do Estado, a paciente evoluiu a óbito”, relata a gestão estadual.

Em resposta aos questionamentos do Bahia Notícias, o órgão informou que, até o momento, foram registrados 697 casos notificados em Uauá, no ano de 2026. Até 27 de abril, a Bahia havia registrado ao todo 8.106 casos prováveis de dengue, redução de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Com relação aos números, a Sesab informa ainda que “já vinha atuando em Uauá e em outros municípios em situação de alerta ou epidemia de dengue, com apoio técnico e operacional às gestões municipais, orientação às equipes de saúde, monitoramento epidemiológico e suporte à organização da rede assistencial”.

Ao final da nota, a Secretaria completa dizendo que, frente aos esforços técnicos, “O que não ajuda a população é politizar o sofrimento das famílias e tentar esconder que o combate à dengue começa no território, na atenção básica, na vigilância municipal, na busca ativa e na eliminação dos focos do mosquito”.

Confira a nota da Sesab na íntegra: 

NOTA À IMPRENSA

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia informa, em primeiro lugar, que o óbito citado será investigado pelas instâncias competentes para confirmação da causa da morte, como determina o protocolo sanitário. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, deveria explicar à primeira-dama que não se deve transformar a dor de uma família em palanque antes da apuração técnica dos fatos.

A Sesab esclarece que a regulação da paciente não ficou parada. A solicitação foi inserida às 14h35 e teve encaminhamento definido às 18h13, em menos de quatro horas. O quadro informado pela unidade de origem já era grave, com sinais de alarme e manifestação hemorrágica. Infelizmente, apesar da resposta do Estado, a paciente evoluiu a óbito. É uma perda que lamentamos profundamente, mas não aceitaremos que uma tragédia seja usada de forma irresponsável contra quem trabalhou para salvar essa vida.

O Governo do Estado já vinha atuando em Uauá e em outros municípios em situação de alerta ou epidemia de dengue, com apoio técnico e operacional às gestões municipais, orientação às equipes de saúde, monitoramento epidemiológico e suporte à organização da rede assistencial. No município, já foi realizado ciclo de UBV, medida adotada conforme critérios técnicos da vigilância para reduzir a circulação do mosquito transmissor.

Os dados epidemiológicos também demonstram que o trabalho está em curso. Em 2026, até 27 de abril, a Bahia registrou 8.106 casos prováveis de dengue, redução de 45,5% em relação ao mesmo período de 2025. Uauá possui 697 casos notificados. 

Além das ações nos territórios, a Bahia vem reforçando o enfrentamento às arboviroses com ampliação da vigilância, apoio ao manejo clínico, UBVs, distribuição de testes, vacinação, instalação do Centro de Operações de Emergência para arboviroses e avanço de tecnologias como o método Wolbachia, em articulação com o Ministério da Saúde e os municípios.

O Estado está trabalhando e continuará presente onde for necessário. O que não ajuda a população é politizar o sofrimento das famílias e tentar esconder que o combate à dengue começa no território, na atenção básica, na vigilância municipal, na busca ativa e na eliminação dos focos do mosquito. Como primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso deveria olhar primeiro para a própria capital, onde a Prefeitura ainda convive com baixa cobertura de agentes comunitários, atenção primária insuficiente e dificuldade histórica de organizar a porta de entrada do SUS. Quem não estrutura a prevenção, sobrecarrega as urgências e depois tenta jogar a conta no colo do Estado. A Sesab seguirá fazendo sua parte, com apoio aos municípios, responsabilidade técnica e respeito à verdade.

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