PLDO 2027: Orçamento de Salvador prevê R$1,7 bi em empréstimos e destaque para investimento em programa de cultura

sábado, 16/05/2026 – 00h00

Com receita de R$ 15 bilhões em 2027, a Prefeitura de Salvador prevê R$ 1,7 bilhão em empréstimos e mais de R$ 850 milhões voltados ao programa de cultura Salvador Capital Afro, segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O documento foi enviado à Câmara Municipal e agora será analisado pelos vereadores.

A Prefeitura de Salvador encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 prevendo uma receita total de R$ 15 bilhões e a contratação de R$ 1,7 bilhão em operações de crédito para investimentos na capital baiana. O documento, obtido pelo Bahia Notícias, foi entregue ao presidente da Casa, vereador Carlos Muniz, e agora será analisado pelos parlamentares.

A estimativa representa crescimento real de 0,34% em relação à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Segundo a Mensagem nº 06/2026, o avanço da arrecadação será puxado principalmente pelo aumento das receitas tributárias próprias, que devem crescer entre 6,3% e 8%.

Do total previsto, a maior parte do orçamento será destinada à manutenção da máquina pública e dos serviços essenciais da cidade. As chamadas despesas correntes representam 76,8% dos gastos, equivalente a R$ 11 bilhões e 500 milhões, com destaque para folha de pagamento, manutenção de equipamentos públicos e custeio da saúde, educação, limpeza urbana e iluminação.

EMPRÉSTIMOS
O PLDO prevê que R$ 1,4 bilhão das operações de crédito virão de instituições nacionais e internacionais para financiar projetos específicos.

O maior deles é o financiamento de R$ 869,8 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), voltado ao programa Salvador Capital Afro e à sustentabilidade fiscal, que concentra o principal volume de recursos culturais do orçamento.

O Banco Mundial (BIRD) deve aportar R$ 323,3 milhões para ações de mobilidade urbana, incluindo a compra de ônibus elétricos e a ampliação do programa Salvador Social. Já o CAF prevê R$ 132,1 milhões para projetos de inclusão social e territorial.

Também estão previstos recursos do BNDES (R$ 19,8 milhões) para modernização da gestão e da mobilidade, além de R$ 12,4 milhões da Caixa Econômica Federal para renovação da frota de ônibus.

Do total de despesas, cerca de R$ 11,5 bilhões serão destinados às despesas correntes, que incluem pagamento de servidores, manutenção de serviços públicos e funcionamento da estrutura administrativa.

O projeto também prevê recomposição salarial dos servidores com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), usado como referência para medir a inflação.

Um dos pontos de destaque é o aumento de 57,7% nos gastos com juros e encargos da dívida, impactado pelo reescalonamento de contratos e novas operações de crédito.

INVESTIMENTOS
As despesas de capital, voltadas para obras e investimentos, estão estimadas em R$ 3 bilhões, uma redução de 13,5% em relação ao exercício anterior.

Dentro desse grupo, R$ 298,4 milhões dependem de convênios com o governo federal. Já a amortização da dívida deve cair 19% em 2027.

DÉFICIT
O PLDO prevê que, em 2027, as contas da Prefeitura de Salvador devem fechar com déficit de R$ 1,3 bilhão. Isso não significa necessariamente falta de dinheiro em caixa, mas sim uma questão técnica das regras de cálculo do orçamento público.

Isso ocorre porque os empréstimos usados para financiar obras são contabilizados como despesa, enquanto a entrada desses recursos não entra na mesma base de cálculo como receita, o que pressiona o resultado final.

Já o resultado nominal, que também mede o equilíbrio das contas públicas, é estimado em um déficit menor, de R$ 273 milhões.

Mesmo com esse cenário, a prefeitura afirma que ainda há espaço para novas operações de crédito. Atualmente, o município utiliza cerca de 35% do limite de endividamento permitido por lei, sendo que o teto é de até 120% da Receita Corrente Líquida.

O PLDO segue agora para análise na Câmara Municipal. O detalhamento final por secretaria será definido na Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser enviada até 30 de setembro de 2026.

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