Opinião: ACM Neto lança “pré

Lançado extraoficialmente como candidato a governador da Bahia nesta segunda-feira (30), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) reuniu aliados para tentar mostrar força, especialmente no interior da Bahia. Tanto que escolheu Feira de Santana como palco para o evento, uma forma de evidenciar que o prefeito da cidade, José Ronaldo (União), não abandonou o grupo. E trouxe o quase ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) para a cadeira de vice. São apostas de estratégia distintas da derrota em 2022, quando centrou expectativas nos grandes municípios, com destaque à Região Metropolitana de Salvador.

No mesmo dia, ACM Neto ganhou um candidato à presidência da República para chamar de seu. O ex-correligionário Ronaldo Caiado foi lançado formalmente como pré-candidato por Gilberto Kassab e incorporou o discurso da direita, com destaque à proposta de anistia geral e irrestrita aos condenados do 8 de janeiro. Assim, mesmo fugindo do bolsonarismo com o sobrenome Bolsonaro de Flávio, o candidato do União Brasil ao governo da Bahia vai ter que lidar com cargas negativas das campanhas da extrema-direita (apesar de, frise-se, ACM Neto ser representante da direita, não do extremismo dela).

Isso, claro, somado à aliança com o PL e à demanda por um palanque para a candidatura de Flávio Bolsonaro, já consolidada como legítima herdeira do ex-presidente Jair. Ainda que torcesse por um nome de “terceira via”, ACM Neto ficará restrito, no palanque nacional, a apoiar um Bolsonaro literal e outro simbólico – Caiado e Kassab escolheram aglutinar a direita, porém por um caminho menos central do que esperado. Nesse caso, os adversários vão surfar com as acusações (justas) de que, para além de opositor a Luiz Inácio Lula da Silva – o grande eleitor na Bahia -, ACM Neto se torna também um braço avançado do bolsonarismo na Bahia.

Enquanto a oposição na Bahia lançava com festa a chapa praticamente formada – incluindo João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos) como candidatos ao Senado -, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ainda tentava apagar os incêndios criados em torno da possível (e até provável) substituição de Geraldo Jr. (MDB) da cadeira de vice para 2026. Na mesma segunda-feira, Jerônimo se reuniu com Geddel Vieira Lima (MDB) e Otto Alencar (PSD), dando sinais do esforço para manter a coesão na base aliada.

A cereja do bolo da estratégia de comunicação do governo para tentar abafar o lançamento da candidatura adversária foi o anúncio de que a Bahia iria aderir, formalmente, ao programa do governo federal para subsidiar o diesel em R$ 1,20, para conter a alta dos combustíveis causada pela volatilidade do mercado. O posicionamento de Jerônimo sobre o ICMS incidente sobre combustíveis gerou mobilizações, especialmente na capital baiana, que acabaram capitalizadas por adversários. A metade assumida pelo governo da Bahia não deve ser suficiente para aplacar os sucessivos reajustes, mas traz um alívio do ponto de vista da comunicação para quem só apanhava desde que Lula indicou a intervenção federal no tema.

A última semana antes do fim do prazo de filiações e desincompatibilizações começou aquecida na cena política baiana. Sinal de que, até outubro, quem gosta de política não deve ficar sem um balde de pipoca para assistir os próximos passos.

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