Projeto que limita fiscalização do Ibama contra desmatamento ilegal é aprovado na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (20), o projeto de lei que barra o uso de tecnologias remotas em ações de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) para combate ao desmatamento ilegal e outros crimes ambientais.
 

O texto proíbe que os órgãos ambientais atuem com base apenas em tecnologias como imagens de satélite. Esse tipo de recurso, somado à verificação humana, vem sendo usado largamente pelo órgão nos últimos anos para detectar e punir a destruição irregular da floresta.
 

Agora, o texto irá para o Senado e, se for aprovado neste, segue para o Executivo, que pode sancioná-lo ou vetá-lo.
 

A votação aconteceu em meio a uma ofensiva da bancada ruralista, a mais poderosa do Congresso Nacional, em prol de pautas de interesse do setor na área econômica e também ambiental.
 

Também nesta quarta, a Câmara aprovou a redução em 40% da área da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, criando brecha para grilagem e mineração na região. O grupo pressiona, ainda, pelo avanço de um projeto para permitir que o Ministério da Agricultura vete espécies classificadas por órgãos ambientais como sob risco de extinção.
 

Nesta quarta, o ministro do Meio Ambiente do governo Lula (PT), João Paulo Capobianco, classificou a ofensiva ruralista como um “rolo compressor”.
 

O projeto que limita os poderes do Ibama, como mostrou a Folha, foi uma reação do agronegócio a uma megaoperação do instituto contra o crime ambiental que teve como tática o uso de embargos remotos. A ação apreendeu 15 mil m³ de madeira ilegal, aplicou R$ 110 milhões em multas e encontrou indícios inclusive de madeireiras fantasmas.
 

O método consiste em cruzar informações de desmatamento aferidas via imagens de satélite com, por exemplo, áreas em que há autorização para supressão de vegetação. Quando é constatado que não houve permissão para derrubada da floresta, o órgão aplica a punição e abre um processo –no qual o proprietário rural pode reverter o caso, se provar que tinha aval de algum órgão para sua ação.
 

A estratégia possibilitou aos agentes dar uma escala inédita à fiscalização ambiental, uma vez que antes era necessário ir pessoalmente a cada fazenda realizar a verificação da destruição ilegal.
 

Ruralistas, no entanto, reclamam que o método apresenta falhas e estaria punindo fazendeiros incorretamente.
 

“Fica vedada a imposição de embargo ou de outras medidas administrativas cautelares com base exclusivamente em detecção remota de alteração de cobertura vegetal potencialmente caracterizadora de infração, sendo garantida a notificação prévia do autuado”, diz o projeto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Design sem nome (55) (1)

Notícias relevantes

VÍDEO: Nove pessoas são resgatadas após canoas havaianas serem atingidas por cor...
Operação interdita e autua três farmácias na Região Metropolitana de Salvador
Polícia desarticula acampamento de facção e apreende arsenal e drogas em Belmont...
Alvo de polêmica por atraso, Michele Andrade sugeriu tocar mais tempo em Santo A...
Três pessoas são presas por estupro de vulnerável contra pessoa com deficiência ...
Petróleo já subiu cerca de 50% desde o início da guerra no Irã, há um mês
Governo lança programa de R$ 11 bilhões contra o crime organizado com foco em as...
Carregando mais...