Bahia registra apenas 28 candidaturas LGBT+ entre mais de 1.200 nas eleições

Adicione o Bahia Notícias como fonte preferencial de notícias no Google!

Candidatas trans no PSDB, União e PSOL

Com o fim do prazo para a submissão de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, a Bahia iniciou o período oficial de campanha, neste domingo (16), com mais de 1.200 candidatos na disputa pelos cargos eletivos nas eleições de outubro. No entanto, a diversidade de gênero e sexualidade ainda é um desafio na Bahia. Conforme os dados disponíveis na Transparência do TSE, levantados pela equipe do Bahia Notícias (BN), apenas 28 candidatos baianos são parte da comunidade LGBTQIANP+. 

Esses parâmetros de diversidade constam na descrição das fichas de candidatura, em que os candidatos podem optar por identificar sua identidade de gênero – como pessoas cis ou transgênero – e sua sexualidade – como heterossexual ou gay. Nesse caso, são consideradas LGBTs as candidaturas de pessoas transgênero, gays, lésbicas, pansexuais e bissexuais. 

No caso das candidaturas transgênero na Bahia, elas estão divididas em cinco partidos: PDT, PSB, PSDB, União e PSOL, sendo que este último acumula três nomes de quadros de candidaturas trans. Destas candidaturas, cinco candidatas estão disputando uma vaga no Congresso Nacional e outras três pleiteiam uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). 

.jpg)Fotos: Reprodução / Senhora Mar por Mario Fernandez (@marispock) / @manuellatyler / @lorenzo\almeida86 

As candidaturas trans da Bahia em questão são de seis mulheres trans e dois homem trans: 

Lorenzo Almeida (PSOL) – Transgênero

Manuella Tyller (PSB) – Transgênero e pansexual

Léo Kret (União) – Transgênero

Gabriela Borges (PSOL) – Transgênero

Luana Brasil (PSDB) – Transgênero e Quilombola

Camila Parker (PSB) – Transgênero e bissexual

Senhora Mar (PSOL) – Transgênero e pansexual

*Thedy Silva (PDT) – Transgênero

Já no âmbito da sexualidade, a maior parte das candidaturas LGBTQIANP+ é de mulheres lésbicas, sendo nove candidaturas ao total. Homens gays são seis candidatos, pessoas bissexuais formam cinco candidaturas e três são pansexuais.

Os candidatos em questão são:* 

João Felipe (PCdoB) – Gay
Fabíola Mansur (PV) – Lésbica
Jack Meira (Rede) – Bissexual
Professor Max (União) – Gay
Gilmar Oliveira (PSOL) – Gay
Vilma Reis (PT) – Lésbica
Adriana Brasil (PSOL) – Lésbica
Dowglasz Polímata (Mobiliza) – Gay
Felipe Santana (PSD) – Pansexual
Louise Ferreira (UP) – Bissexual
Dra. Patrícia Pinheiro (PDT) – Lésbica
Wellington, O Filho do Povo (DC) – Gay
Professor Jorge Sales (PSD) – Bissexual
Professora Aline (PSOL) – Lésbica
Ekede Taise (PSB) – Lésbica
Lucas, O Sincero (PL) – Gay
Giovanna Ferreira (UP) – Bissexual
Dra. Adriana Cardoso (PDT) – Lésbica
Tati Mototáxi (PDT) – Lésbica
* Gabby Santana (PSB) – Lésbica

Embora as candidaturas LGBTQIA+ estejam concentradas em partidos de esquerda e centro-esquerda, a lista reúne nomes de diferentes campos ideológicos, incluindo siglas de centro, esquerda radical e extrema-direita. Os partidos com mais candidatos são o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com seis nomes; o Partido Socialista Brasileiro (PSB), com quatro; e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), também com quatro.

.jpg)Fotos: Reprodução / Redes Sociais via @\louiseferreira (@\manumh) / @jorgesales.oficial / @lucas\o\sincero. 

Juntos, PSOL, PSB e PDT concentram 14 dos 28 candidatos identificados no levantamento, o equivalente a 50% do total. Ou seja, partidos mais ligados a correntes políticas de esquerda concentram o maior número de candidatos nessas vagas. Todas as candidaturas estão concentradas no Legislativo estadual e federal, ou seja, entre nomes que disputam vagas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

Também vale ressaltar que pelo menos 310 candidatos escolheram não informar sua orientação sexual e identidade de gênero. Ou seja, entre os candidatos na Bahia, cerca de três em cada dez optaram por não declarar sua orientação sexual ou identidade de gênero nas urnas.

Entre os 70% que informaram esses dados — grupo no qual estão os 28 candidatos mapeados pelo BN —, 2,59% dos candidatos são LGBT. Isso significa que cerca de 97% dos candidatos que declararam sua orientação sexual se identificam como heterossexuais, ou seja, sentem atração sexual por pessoas do gênero oposto. 

Confira em gráfico por partido:

Já em relação à identidade de gênero, o número é maior: 99,1% dos candidatos se identificam com o gênero registrado no nascimento (cisgênero). Os oito candidatos trans identificados no levantamento representam menos de 1% do total.

Para falar sobre esses números, o Bahia Notícias conversou com a pesquisadora e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM) da Universidade Federal da Bahia (Ufba
), Be Silva Brustolim. 

Para ela, o primeiro destaque é a necessidade de compreender o funcionamento do processo político e partidário das candidaturas: as 28 que puderam ser registradas, já passaram por um funil interno nos partidos. 

“Quando consideramos como a população LGBTQIAPN+ é sub-representada, devemos também pensar em como essas candidaturas não passam nos processos intra-partidários. Nós percebemos que vontade e necessidade política existem, porém as pessoas dispostas a enfrentar o processo eleitoral não passam da porta dos partidos, mesmo em partidos de esquerda”, afirma. 

Pesquisadora e ativista das pautas de gênero, diversidade e direitos humanos, Be destaca que o número de candidaturas é alarmante. “Nesse sentido, 28 candidaturas para um estado do tamanho da Bahia é uma grande amostra do real engajamento dos partidos políticos, especialmente de esquerda, para com a população LGBTQIAPN+”, ressalta. 

Ela reitera que “de forma alguma este número é um motivo de celebração’. “ONGs \[Organizações Não-Governamentais\] como VoteLGBT demonstram que apesar de termos uma população expressiva, ainda somos sub-representadas na política. Esta eleição não oferece nada novo neste fronte, apenas a velha necessidade de mudança e muita luta”, resume Be. 

(Matéria atualizada às 17h11 após deputado trans pelo PDT cometer possível erro na declaração ao TSE em seu nome e gênero)._

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Design sem nome (55) (1)

Notícias relevantes

Vereadora de Alagoinhas que passou por cirurgia no intestino após acidente na BR
Richarlison relata prejuízo de R$ 10 milhões em disputa judicial por mansão
Jornalista perseguido por Zambelli tem ordem de prisão em regime aberto revogada...
Motorista de ônibus que invadiu ponto de apoio em Itambé e causou mortes diz ter...
Carregando mais...