PF rejeita tese dos EUA que classifica facções brasileiras como terroristas

sábado, 18/04/2026 – 14h20

A Polícia Federal (PF) enviou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) uma manifestação em que rejeita o enquadramento das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O documento, divulgado pela coluna de Mirelle Pinheiro do portal Metrópoles, foi produzido após o governo dos Estados Unidos sinalizar a intenção de fazer esta classificação.

No ofício, assinado pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, a PF argumenta que, embora não exista uma definição universal de terrorismo, há consenso internacional de que o fenômeno envolve violência com motivações políticas, ideológicas, religiosas ou discriminatórias, voltada a provocar terror generalizado e pressionar governos.

Segundo a corporação, esse não é o caso das facções brasileiras. O documento estabelece uma distinção clara: organizações terroristas têm motivação política, enquanto organizações criminosas atuam com objetivo econômico. No entendimento, PCC e CV operam dentro de uma lógica de lucro, ainda que com alto grau de organização e violência, explorando atividades como tráfico de drogas, armas e pessoas.

A manifestação também rebate o argumento de que o uso da violência justificaria o enquadramento como terrorismo. Para a PF, a atuação desses grupos não é indiscriminada, mas direcionada principalmente contra rivais ou forças de segurança, o que afasta a caracterização de terror social amplo.

Apesar disso, o órgão reconhece que as facções representam “risco severo” à ordem pública e à segurança institucional, exigindo resposta contínua e especializada do Estado.

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