Lucas Vieira / BN
O cortejo do 2 de Julho reuniu milhares de pessoas nas ruas do Centro Histórico de Salvador na manhã desta quarta-feira (2). Além da presença de autoridades e lideranças políticas, populares aproveitaram a celebração da Independência da Bahia para exaltar a tradição da data, a cultura baiana e defender causas sociais durante o percurso.
Participando do cortejo pela primeira vez, Luciano afirmou que o maior significado da festa está na resistência do povo baiano. “O que simboliza para mim é a gente continuar lutando pela resistência, ser livre e preservar a cultura”, disse ao Bahia Notícias.
Ao lado dele, Valdete Escandalo, que acompanhava a celebração pela segunda vez, destacou a importância histórica do 2 de Julho. “A cultura, né? Eu creio que é pela Independência, quando expulsaram os portugueses. A gente conseguiu vencer e tem que ter uma comemoração digna como a que está acontecendo agora”, afirmou. Ela também resumiu o espírito da festa ao dizer que “o baiano tem o molho”.
Frequentador assíduo da celebração, Sérgio Guerreiro contou que faz questão de participar do cortejo todos os anos e classificou o evento como uma das principais manifestações culturais da Bahia. “Isso aqui é uma tradição, uma cultura da Bahia. Todo ano eu marco presença. Não tem coisa melhor do que assistir à cultura da Bahia e à energia do povo baiano”, declarou.
Além de ressaltar a importância da data para a consolidação da Independência do Brasil, Sérgio também defendeu que o respeito às mulheres seja uma das marcas da festa. “Que continue a cultura. O respeito às mulheres vem em primeiro lugar. Inclusive tenho uma música que fala contra o assédio. O 2 de Julho também é isso”, disse.
A celebração também abriu espaço para reivindicações de categorias profissionais. Representando os massoterapeutas, Rosa Anunciação defendeu a regulamentação da profissão e a ampliação do acesso às práticas integrativas de saúde. “Somos massoterapeutas e sabemos da importância da massoterapia para a sociedade baiana e brasileira. Precisamos da regulamentação para que todos tenham direito também à saúde integrativa”, afirmou.
Pedro Andrade, que acompanhava Rosa, relacionou a Independência da Bahia à valorização da diversidade e do respeito entre os povos. “Independência da Bahia significa a diversidade sendo valorizada, os povos, a multiplicidade de pessoas e o calor humano que precisam ser respeitados e espalhados pelo mundo”, declarou. Ele também defendeu a inclusão da massoterapia no sistema público de saúde. “Ela precisa entrar no sistema de saúde e ser oferecida para todos”, relatou.
Outra figura que chamou atenção durante o cortejo foi Paulo Sérgio, fantasiado com chifres e vestido com as cores do Brasil. Veterano na celebração, ele disse que participa do 2 de Julho há muitos anos e definiu a data como um símbolo de orgulho. “O 2 de Julho é a Independência baiana e eu sou brasileiro até morrer”, contou.
Mesmo com a chuva registrada durante parte da manhã, Paulo minimizou o impacto do tempo na festa. “A chuva não atrapalha nada. Está no tempo dela. É tempo de Deus”, completou.