A produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias de más condições de trabalho durante as gravações realizadas em São Paulo. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, ao menos 15 profissionais procuraram o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) relatando agressões físicas, assédio moral, atrasos salariais e revistas pessoais consideradas constrangedoras nos bastidores da produção.
Ainda de acordo com os relatos, trabalhadores atuavam sem os contratos obrigatórios previstos para o setor audiovisual. O relatório sobre as condições de trabalho foi elaborado pelo sindicato em dezembro do ano passado, mas, segundo a vice-presidente do Sated-SP, Ângela Couto, as pendências seguem sem solução.
Ela afirmou que a produtora GOUP Entertainment chegou a firmar um acordo inicial para regularizar a situação e apresentar os contratos dos profissionais envolvidos, mas posteriormente teria recuado.
“A Go Up se recusou posteriormente a cumprir o trato inicial”, declarou a dirigente sindical.
O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público do Trabalho. A Procuradoria Regional do Trabalho de São Paulo instaurou, em 16 de abril, um inquérito para apurar denúncias de assédio moral e agressões físicas durante as filmagens.
Segundo o MPT, a investigação segue em andamento.
A vice-presidente do sindicato ainda afirmou que a produtora alegou que parte das contratações havia sido feita por meio de empresas, e não diretamente com pessoas físicas, o que, na avaliação do Sated, pode configurar “pejotização” irregular das relações de trabalho.
Uma fonte ouvida reservadamente pela reportagem relatou que havia problemas recorrentes de organização no setor de figuração, com parte dos contratados sem experiência prévia em produções audiovisuais. Em algumas gravações, segundo o relato, mais de 150 figurantes participavam das cenas, em meio a reclamações sobre alimentação, cronograma e logística no set.
O filme Dark Horse também esteve no centro de outra polêmica nos últimos dias após reportagens apontarem suposta participação do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento da obra. A produtora e aliados do ex-presidente negaram irregularidades.